Já se foi o tempo em que aquele sujeito de óculos, que jogava Role
Playing Games (RPG) e passava horas a fio em frente ao computador era
excluído pelos colegas de turma. Depois da popularização da internet e o
advento da web 2.0 - em que os próprios usuários passaram a gerar e
organizar informações -, quem é ligado em lançamentos tecnológicos e não
desgruda das redes sociais é que virou o “descolado”. Pelo menos, é o
que afirmam os antigos nerds, os atuais “geeks”, quando questionados
sobre o assunto.
Aliás, o que, definitivamente, é ser nerd ou geek? O professor de
psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luciano Meira,
que pesquisa a área de internet e jogos digitais, traz uma definição
pouco usual para esses termos. De acordo com Meira, “o nerd ainda existe
e é o tipo de aluno que as escolas tentam formar, já que é uma figura
que tem grande capacidade de aprendizado e retenção de informação”.

“Já o Geek deveria ser o padrão de aluno para os institutos de ensino,
pois ele busca na rede uma determinada informação e constrói um conteúdo
a partir daquilo. Eles são mais sociáveis que os nerds por estarem mais
presentes nas redes sociais”, explica Meira.
A pergunta que não quer calar é: o que, nesse meio tempo, aconteceu para
que os denominados geeks fossem aceitos de forma tão natural? O
estudante de ciências da comunicação Rafael Lima define tudo em uma
frase: “Todo mundo hoje quer ser geek. Como a tecnologia está cada vez
mais presente em nossas vidas, é natural que as pessoas queiram ser
‘antenadas’ em assuntos dessa área”, explica.
Fã de anime, desenhos animados produzidos no Japão e famosos em todo o
mundo, o universitário, Ailton Coelho conta que, por ser introvertido,
era rotulado de nerd durante o ensino médio. Hoje, reconhece que os
tempos mudaram. “Atualmente, quem gosta de anime tem muito mais
liberdade para falar sobre isso abertamente, além disso existem mais
pessoas interessadas no assunto do que há quatro anos, por exemplo”,
relata o estudante.
O blogueiro e estudante de publicidade, Yeltsin Lima, explica que o
mercado para quem é interessado na área de tecnologia é bem favorável,
já que todas as empresas precisam manter-se online. “Existem empresas,
inclusive, que têm funcionários que trabalham apenas pela internet, o
chamado home office”, afirma.
E quem pensa que pessoas interessadas em cultura japonesa ou outros
assuntos considerados de “nerd” não têm um círculo social forte está bem
enganada. Sobre suas amizades na época de colégio e as de hoje, Ailton
faz uma importante ressalva. “Mesmo que nem todo mundo compartilhe dos
mesmos gostos que você, é muito mais válido ter poucos e bons amigos do
que muitos e nem tão bons assim”, pontua o estudante.
Outro que recebeu apelidos pouco carinhosos e foi até chamado de “secão”
- indivíduo que passa muito tempo entretido com games -, mas levou tudo
na esportiva foi o estudante de design Pedro Barroca. Sempre ligado nas
novidades tecnológicas, Barroca conta que é primordial o interesse no
mundo online nos dias de hoje. “É importante estar a par das novidades e
sempre se manter informado por meio de portais de notícias, para não
perder o bonde do mundo”, diz Barroca.
Na parte offline da vida dele, o estudante encontrou o par perfeito:
Beatriz Saegesser, estudante e também interessada nas novidades da rede.
“Estamos sempre no computador, mas como moramos perto, prefiro ficar
com ela pessoalmente mesmo”, brinca Barroca.